Minha História

QUEM SOU E TUDO QUE VIVI ATÉ AQUI

Mas antes de continuar, um vídeo para você me conhecer melhor.

Da infância a adolescência: mesa farta, peso extra e bullying

Desde criança sempre fui muito observador, curioso, questionador, um pouco tímido e me divertia com pouco. Lembro muito do sítio dos meus pais onde andava a cavalo, colhia fruta do pé. Ficava um tempão no meio do mato, buscava ovo no galinheiro e observava minha mãe cozinhar. Lembro bem das brincadeiras simples, das músicas e das festas recheadas de pratos.

Sempre tive uma relação forte com a comida, até mesmo por influência do meu pai, que é glutão e tem prazer de ver os outros comendo. Some isso a uma mãe que cozinha bem e pronto, temos um “combo” perigoso: mesa cheia, vontade grande de comer e escolhas não muito corretas. A alimentação também era uma forma de compensar situações desagradáveis da minha vida. Tudo isso me fez ser aquele menino que as pessoas adoram apertar as bochechas e dizer que é uma “gracinha” ou “fofinho” – no fundo sempre achei um saco essa pegação no pé!

Minha adolescência foi o auge, vivi muito bem a fase de “aborrescência”: desentendimentos, meio rebelde, arteiro, questionava muito minha família, vivia cheio de “porquês”, não me encaixava muito bem em nenhum grupo, andava com a galera mais “alternativa”, “nerd” ou até mais sozinho. Sofria MUITO bullying nesta época. Quem gosta de ser gordinho, usar óculos de grau, ser patinho feio e não se sentir encaixado em nenhum grupo? Acredito que ninguém, não é mesmo?

Eu tinha vergonha por ser gordinho. Muitas vezes chegava em casa e chorava. Como eu ia me empoderar se eu não tinha segurança alguma em mim?

Eu tinha vergonha por ser gordinho, andava meio curvado, tinha “peitinho” que marcava a camiseta. Até minha família pegava no meu pé. O pessoal do colégio era cruel, ainda mais por agir em bando, eu me sentia super excluído e me excluía ainda mais. Muitas vezes chegava em casa e chorava. Não compartilhava essas dores com ninguém, pois muitas vezes as “dicas” alheias de nada serviam. Como eu ia me empoderar se eu não tinha segurança alguma em mim? Difícil conversar isto com qualquer pessoa, ainda mais da sua idade.

Estava no ensino médio e BEM GORDINHO, uma bolinha mesmo, super inflamado. Na época tinha 1,54m e pesava uns 85kg. Hoje eu sei que também não evoluía porque minha produção hormonal estava totalmente errada. Minha mãe pegava muito no meu pé, acredito por não querer que eu seguisse o exemplo do meu pai e a da sua família, com tendência a serem gordinhos, diabéticos e hipertensos. Confesso que ela era meio cruel dizendo que ia me dar soutiein para usar (que péssimo, já superei).

Com a saúde debilitada, o começo da mudança

Fiz exames e o resultado gritou: hipertrigliceridemia e pré diabetes – isso porque na época nem solicitaram teste de intolerância a lactose, que também tenho! Para quem comia muito trigo, queijo, maionese, salgadinhos, refrigerante e 3 big cachorros quente dizendo que 2 deles eram pra viagem (com a desculpa de que levaria pra alguém, mas comia no meio do caminho) o resultado era de se esperar. Mesmo assim eu fiquei chocado. Confesso que por todas as situações eu já não era uma pessoa tão cheia de energia, tinha uma névoa negra.  As palavras ofensivas como “chupeta de baleia” machucaram e ainda machucam (por mais engraçadas que possam parecer quando faladas hoje). Estava realmente cansado e precisando de alguma motivação para mudar.

Resolvi me permitir a experimentar coisas diferentes, novos sabores e combinações, mas comendo em menor quantidade. Além disso, comecei a fazer um pouco mais de atividade física. Não que eu não brincasse normalmente, afinal não era tão depressivo assim. Sempre fui alegre e disposto, mas poderia ter sido mais ativo, não é? Foi então que aproveitei um verão em Canasvieiras / Floripa, para pedalar todo dia, andar de roller, comer melhor com apoio da minha mãe e até de um amigo da época que era super magrelo.

Contando assim, parece que foi fácil. Mas não, NÃO FOI FÁCIL! Foi uma luta diária até começar a me sentir melhor com as mudanças.  Emagreci gradativamente e após 6 meses eliminei 25kg. Me transformei em outra pessoa fisicamente, mas minha cabeça não mudou na mesma velocidade.  Passei por um processo mental COMPLICADO de evolução para essa nova identidade, uma fase de muitos questionamentos, potencializada ainda mais para quem sempre foi um questionador.

Após 6 meses eliminei 25kg. Me transformei em outra pessoa fisicamente, mas minha cabeça não mudou na mesma velocidade

Confesso que fiquei meio paranóico com as escolhas que fui fazendo, com o que comer, com medo de engordar novamente. Esses medos me fizeram passar por um longo período de bulimia. Isso aconteceu até o final do período de emagrecimento: eu comia mais do que achava necessário e vomitava. Fazia isso em qualquer lugar, porque aliviava a sensação de culpa imediatamente, uma compensação totalmente errada gerada pela compulsão. Eu tenho refluxo desde pequeno, então vomitar pra mim não era algo complicado. Por mais que eu soubesse que era errado, eu fazia para compensar, ficava “menos pesado e mais satisfeito” dentro da minha paranoia toda. Muita gente nem sabe, ou ninguém sabe, mas isso se estendeu até meados dos primeiros semestres da faculdade de nutrição, onde comecei a me conscientizar mais e mais sobre saúde.

O caminho que me levou à Nutrição

Não comecei direto fazendo Nutrição. Prestei meu primeiro vestibular para farmácia, depois fiz meio período de cursinho. Fui trabalhar no Angeloni, na padaria e confeitaria (já era bem magro) e comia muita coisa boa por lá, sempre metido no meio da cozinha, apesar de ser atendente. Nessa época eu já estava mais tranquilo em relação às paranoias, mas ainda tinha umas recaídas em relação à bulimia. Depois prestei vestibular novamente e passei para Engenharia de Alimentos, que cursei por um ano em Jaraguá do Sul. Trabalhei com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Amei, mas não queria trabalhar com máquinas. Acredito que tinha outra missão: a de ajudar pessoas, assim como eu me ajudei. Eu não fui à nutricionista e nem psicólogo, porque na minha casa achavam meio besteira isso, na época as profissões nem tinham tamanha importância. Hoje pensei que esse apoio teria sido essencial pra não ter feito tanta loucura como eu fiz. O caminho pode ser sempre menos doloroso e fácil, basta ser orientado por bons profissionais.

Quando decidi parar o curso de Engenharia, fiquei entre duas paixões: Nutrição e Gastronomia. Optei por Nutrição e foi essencial para minha base profissional, mas  ainda sentia que não estava completo. Por sugestão e incentivo de uma colega descobri o curso técnico de cozinha no antigo CEFET escola federal. Fiquei meio duvidoso se fazia a prova, mas fiz e passei! Que alegria, que bom incentivo, além de conhecer pessoas ótimas o curso serviu tanto para conhecimento profissional quanto pessoal. Foi ali que comecei a pensar mais sobre a junção das duas atividades, na verdade já havia entrado no curso para isto. Não queria ser nutricionista clínico de consultório, queria trabalhar com UAN (produção de refeições), mas ainda precisava aprender as inúmeras possibilidades que a minha profissão poderia me dar.

Sempre me aventurei na cozinha, mesmo fazendo umas gororobas que deram um up com mais técnica. Já evitava comer alguns tipos de alimentos na época da graduação em nutrição, mas nada de extremismo.

Por quê inflamar mais se a pessoa já esta inflamada?

Na graduação experimentei muitas possibilidades com projetos, monitorias, congressos, serviço voluntário e etc., até que me apaixonei por Educação Nutricional com uma professora chamada Léia. Fui monitor da matéria e fizemos várias ações, foi maravilhoso. Outras aulas também foram marcantes, principalmente quando mostravam a união da Nutrição com Gastronomia e isso me deixava muito animado.

Fiz alguns estágios em serviço público e ficava triste com as limitações, tipos de alimentos ofertados/ licitados e prescritos para pacientes que já estavam doentes… Não acreditava nem concordava com aquilo. Por quê inflamar mais se a pessoa já esta inflamada? Não tinha prazer algum em fazer este tipo de serviço. É possível mudar lugares engessados? É sim, mas não dependia só de mim, eu percebia um desinteresse enorme em quem estava ali, porém consegui envolver alguns colegas e fiz minha parte. Acredito que tenha cativado muitas pessoas, foi um bom aprendizado de partilhas e de quebrar algumas barreiras e aprender a ter mais tato ao falar e estimular novos hábitos.

A adoção de novos hábitos não deve ser muito trabalhosa, porque se torna desestimulante.

No final da graduação eu já fazia eventos na casa das pessoas cozinhando com um toque mais saudável com ajuda da minha amiga Kaká. Depois comecei a produzir meus congelados, me formei e passei a atender clientes construindo planos alimentares e cozinhando as receitas para os clientes. Era uma loucura, um acúmulo de funções imenso, mas que me davam prazer, porque os clientes emagreciam com uma alegria e total satisfação em seguir meu plano alimentar.

Cansei dessa loucura e quis abraçar a causa de uma empresa de congelados funcionais maior, sendo chef, até para entender um pouco mais sobre esse mundo funcional que eu achava diferente e queria conhecer. Já tinha algumas inspirações de nutricionistas como Gisela Savioli e hoje do meu melhor amigo Chef Renato Caleffi do Le Manjue, em São Paulo. Foi um grande aprendizado. Neste meio tempo fui convidado para ministrar aulas de gastronomia funcional com uma amiga em Floripa. Tudo foi tomando uma proporção maior e estou por aí hoje, usando a culinária como uma ferramenta educativa que inclusive foi tema do meu TCC de Nutrição Social servindo de comprovação para um trabalho que tanto amo, evidenciando todos os benefícios que a mudança de hábitos pode nos presentear somadas as minhas experiências de vida!

Minha profissão tem me permitido conhecer um pouco mais da cultura do Brasil e Paraguai devido minhas viagens para ministrar cursos, consultorias e outros serviços que vocês podem conhecer clicando aqui. Sempre que possível tento experimentar algo típico e usar ingredientes de fácil acesso na construção das minhas receitas. O que não conheço, solicito ajuda para quem mora no local e pesquiso. Chegando à cidade, peço, sempre que possível, para visitar algum mercado municipal ou até mesmo supermercado, porque acredito que através dos ingredientes e pratos é possível identificar muito sobre uma cultura e hábitos locais. Trabalho tentando valorizar ao máximo os ingredientes regionais. A adoção de novos hábitos não deve ser muito trabalhosa, porque se torna desestimulante. O grande papel do educador nutricional é mostrar que ingredientes de fácil acesso podem ser combinados de forma inteligente tornando-se parte de uma rotina saudável. Assim, essas inúmeras conexões me permitem experimentar, combinar e aprender (sempre) sobre cultura, sabores e saberes que me encantam e me fazem querer aprender muito mais.